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domingo, 15 de junho de 2014

O gol que quase ninguém viu




O chute de abertura da Copa do Mundo, esperado nos últimos anos como ponto alto para a divulgação da inovação brasileira, acabou não acontecendo, ou pelo menos não com o destaque esperado.


O pontapé inicial da Copa, dado por um paraplégico usando veste robótica no começo da cerimônia de abertura, quase passou batido na transmissão do evento.
Além da empresa contratada pela Fifa para registrar os jogos ter mostrado tardiamente o momento, deixando pouco tempo para o público entender o que estava sendo apresentado, a TV Globo ainda dividiu a tela entre o paraplégico e a chegada da seleção ao estádio.
O destaque para a ação acabou acontecendo nas redes sociais. Muitas postagens repercutiram o momento do chute inicial e reclamaram da falta de atenção da televisão para o assunto.
A apresentação foi um dos resultados do projeto Andar de Novo, liderado pelo neurocientista Miguel Nicolelis. O programa é financiado pela Finep, agência de fomento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com R$ 33 milhões.
O Projeto Andar de Novo é um consórcio formado por centenas de pessoas de universidades e institutos de pesquisa do mundo. São cientistas e especialistas de 25 nacionalidades.
O objetivo do programa é desenvolver uma tecnologia de interface cérebro-máquina que permita que pessoas com mobilidade restringida voltem a andar usando a mente para controlar um equipamento externo, que substituiria os membros inferiores. 
O exoesqueleto é a materialização tecnológica mais avançada das pesquisas e foi concebido para permitir a interação do cérebro em tempo real com essa veste robótica, que é o resultado de anos de trabalho por uma equipe internacional de cientistas e engenheiros. 
As pesquisas para o desenvolvimento da roupa começaram em 1999.
O tamanho da sua representatividade para a ciência brasileira está expresso no nome escolhido para a máquina: BRA-Santos Dumont I, em homenagem a quem Miguel Nicolelis considera o maior cientista brasileiro de todos os tempos. 
O sistema funciona como um controle compartilhado, em que o cérebro gera mensagens que expressam o desejo voluntário motor do operador, como por exemplo “eu quero andar”, “eu quero parar”, “eu quero chutar a bola”. 
Esses comandos mentais interagem com os controles das articulações do exoesqueleto para fazer com que os movimentos sejam gerados.
Para levar o projeto ao estádio, o sistema passou por inúmeros testes de segurança, um deles realizado no estádio do Pacaembu. No gramado, neuroengenheiros do Andar de Novo obtiveram registros da atividade elétrica cerebral antes, durante e após a partida entre Palmeiras x Ponte Preta, pelo Campeonato Paulista.
A expectativa da equipe era que a Copa fosse um marco para mostrar ao mundo a direção para qual o projeto está caminhando. 
Pela maneira como o momento foi transmitido, é difícil acreditar que o projeto tenha alcançado a repercussão merecida.
No twitter, logo após o chute, Nicolelis comemorou com um “Nós conseguimos!!!!”.

We did it!!!!

Fonte: Baguete

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